Eleições AAC - 24 e 25 Nov 2014, Ensino Superior, Multimédia

Poucos estudantes protestam contra cortes no Ensino Superior

Tornou-se evidente a ausência das grandes associações e federações de estudantes em Portugal na manifestação desta quarta-feira, 12 de novembro. Por Félix Ribeiro e Inês Amado da Silva

A Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), que recusou a participação no protesto em Assembleia Magna, no passado dia 4 novembro – ao fim de três recontagens de votos – disponibilizou autocarro para os cerca de sessenta alunos de Coimbra que se deslocaram a Lisboa. Contra a ideia de que a direção-geral votou contra a participação da associação, Carlos Tadeu, o coordenador do pelouro da política educativa da DG/AAC, afirma que “esta manifestação não é prejudicial”.

Cerca de 350 estudantes estiveram esta quarta-feira, em Lisboa contra os cortes no financiamento do ensino superior público. O protesto, que partiu do Largo do Carmo, não chegou a ocupar os passeios diante da Assembleia da República, evidenciando a ausência das principais associações e federações de estudantes do país e a falta de concertação.

Carlos Tadeu explica ao jornal A CABRA que a razão maior pela qual a DG/AAC escolheu não participar na manifestação desta quarta-feira se deve à dificuldade em mobilizar os estudantes num curto espaço de tempo. De acordo com Carlos Tadeu, a DG/AAC defendeu a proposta na reunião do Encontro Nacional de Académicas (ENA), a 10 de novembro, mas encontrou a oposição das restantes associações representadas.  “A grande razão foi mesmo não haver oportunidade”, diz.

Em Assembleia Magna, a razão dada pela DG/AAC para não trazer a associação à manifestação prendeu-se também com o facto de a DG/AAC se encontrar em negociações com o secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, junto do qual tem sido negociado o aumento da dotação global afeta à ação social para aumentar a elegibilidade dos alunos na atribuição de bolsas. Ao jornal A CABRA, Carlos Tadeu declarou que, na visão da DG/AAC, “esta manifestação não é prejudicial [às negociações] ”, que devem terminar na próxima semana, em data ainda a marcar.

A razão dada por Carlos Tadeu é contestada por Alexandra Correia. A líder do movimento Reset à AAC, que deverá concorrer à DG/AAC nas eleições que se aproximam, repudia a versão do membro da DG/AAC, que diz que apenas teve conhecimento desta manifestação no próprio dia 4 de novembro. “Obviamente que a DG/AAC devia estar aqui”, afirma Alexandra ao jornal A CABRA. “Já havia movimentos no Facebook”, remata.

Uma crítica que ecoa com Laura Tarrafa, do movimento “Registe Agora”. “Ouvimos essa história há anos”, diz Laura Tarrafa sobre a recusa da DG/AAC em participar nesta manifestação. “Chega, parece que têm medo de estar ao lado dos estudantes”, defende.

Além da AAC, a Federação Académica do Porto (FAP) e a Associação das Académicas de Lisboa (AAL) foram algumas das grandes ausências. A presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (AEFCSH), Ana Garcia, notou também a falta de comunicação e concertação entre as associações académicas do país.

Considerando o número de presentes “francamente insuficiente”, Ana Garcia considera, no entanto, que esta não foi “a expressão da real dificuldade do que se passa no ensino superior”. “Assumo que as pessoas que não estão aqui é por descrença, não por descrença no modelo de manifestação”, acredita. Uma descrença que assenta naquela que, para Ana Garcia, deveria ser a grande prioridade desta manifestação: o acesso livre ao ensino superior.

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