Ensino Superior, Uncategorized

João Gabriel Silva quer tornar UC numa universidade global

O atual reitor da Universidade de Coimbra, e candidato à reeleição, apresenta como principais bandeiras eleitorais a pretensão de atrair alunos de nacionalidade estrangeira e ter a melhor universidade de Língua Portuguesa. Texto e fotografia por Tiago Cortez

João Gabriel Silva apresentou esta segunda-feira as linhas gerais do seu programa de candidatura a reitor da Universidade de Coimbra (UC). A estratégia do ex-diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologias da UC (FCTUC) passa por tornar a UC numa universidade global. João Gabriel Silva foi eleito reitor em 2011 e concorre agora sem oposição ao mandato de 2015-2019. O discurso virado para o futuro e para o exterior foi acompanhado por cerca de uma centena de pessoas que ocuparam a plateia do Auditório da Reitoria.

Num prazo de dez anos, João Gabriel Silva quer transformar a UC na melhor universidade de Língua Portuguesa, ao cativar alunos estrangeiros, principalmente brasileiros, de modo a elevá-la qualitativamente. Para isso, o ainda reitor pretende combater alguns problemas sistémicos como o “envelhecimento do corpo docente”. Entre as propostas do candidato, destaca-se a contratação de pessoal de topo durante os próximos 15 anos.

Outro dos trunfos da UC para atrair alunos estrangeiros é, segundo a candidatura de João Gabriel Silva, a oferta cultural da cidade. O Conselho Geral (CG) questionou o atual reitor sobre eventuais ajudas da UC às secções culturais da Associação Académica de Coimbra (AAC). O candidato a reitor afirmou que uma quota fixa de apoio está fora de questão e justificou-se ao dizer que “existem secções que têm atividade reduzida e, como tal, não faz sentido apoiá-las financeiramente”. No entanto, o reitor deixou claro que qualquer secção que apresente um projeto à UC terá o seu apoio.

Contactado pelo Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra, o presidente da Direcção-Geral da AAC (DG/AAC), Bruno Matias, referiu que a DG “tem trabalhado em conjunto com o reitor” para “desenvolver cada vez mais um trabalho profícuo não só na área desportiva, mas também cultural”. O presidente defendeu ainda uma distribuição equitativa dos valores financeiros pelas secções, e salientou o aumento de atividade de algumas secções culturais, “como a Secção de Jornalismo e a Secção de Gastronomia”.

Alguns membros do CG criticaram João Gabriel Silva por apresentar um programa demasiado genérico. João André Sousa, aluno do Mestrado Integrado em Medicina, confrontou o reitor com um estudo que indica que 27 por cento dos diplomados da UC enfrentam uma situação de desemprego. O reitor relativizou a questão, ao argumentar que a UC tem “uma das melhores taxas de empregabilidade quando comparada com outras instituições”. O ex-diretor da FCTUC assegurou ainda que estão a ser realizados esforços para melhor introduzir os estudantes no tecido empresarial.

O professor catedrático do Departamento de Física da UC, Carlos Fiolhais, questionou o reitor sobre as avaliações de professores pelos estudantes. Segundo o docente, essas avaliações deveriam poder ser consultadas e o seu acesso poderia ajudar a atrair mais alunos. João Gabriel contrapôs que esse processo atravessa “um período de habituação” mas que, de futuro, poderá estar ao serviço da comunidade estudantil.

As eleições para Reitor da UC estão marcadas para dia 9 de Fevereiro. Antes disso, João Gabriel Silva participa, na próxima quarta-feira, numa conversa aberta na Faculdade de Letras da UC. Um dia depois, o candidato desloca-se ao Pólo II e na sexta-feira fecha este ciclo de debates na Faculdade de Farmácia da UC.

IMG_0047

Discussão

Os comentários estão fechados.

%d bloggers like this: