Cultura

Nova edição dos diálogos de Carlos Reis com José Saramago

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Vinte anos depois da publicação original, é apresentada a reedição de ‘Diálogos com José Saramago’, uma obra onde transparece o génio literário do Prémio Nobel da Literatura. Texto e fotografia por Cláudia Carvalho Silva

Foi apresentada ontem, 4 de maio, pelas 18h00, a reedição da obra ‘Diálogos com José Saramago’, de Carlos Reis, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). A Livraria Almedina Estádio Cidade de Coimbra encheu para ouvir a apresentação feita pela também docente da FLUC, Ana Paula Arnaut, já passara o quarto de hora académico. O evento contou ainda com as intervenções do próprio Carlos Reis, bem como de Pilar del Río, presidente da Fundação Saramago, e Manuel Alberto Valente, diretor editorial da Porto Editora.

Diálogos com José Saramago é o resultado de cerca de sete horas de conversas entre Reis e Saramago, recolhidas em cassete áudio na ilha de Lanzarote. Durante as sessões de trabalho, dialogaram, entre outros assuntos, sobre a condição de escritor e a criação literária do vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 1998. Como referiu Ana Paula Arnaut, o livro é constituído por “oito diálogos” que têm como função “preservar o nome e espírito cívico, político e literário de um dos maiores escritores”.

Quase vinte anos depois da publicação original, a nova edição deste livro – presentemente a cargo da Porto Editora – foi complementada com um texto introdutório do autor e, também, com a transcrição do discurso feito pelo professor catedrático em 2013, durante a apresentação do ensaio A Estátua e a Pedra, de José Saramago.

Carlos Reis afirmou que, na altura dos diálogos com Saramago, não fora recebido na casa de um escritor mas sim na casa de um amigo, recordando a hospitalidade com que fora acolhido. Pilar, considerada por Carlos Reis como a “madrinha de guerra deste livro”, confirmou que tinham sido dias a partilhar cafés e o quotidiano, momentos de que derivou a cumplicidade de que é acusada no livro.  

Por entre agradecimentos, Carlos Reis ressalvou que a obra de Saramago não precisa de ser promovida mas considerou que existem valores e atitudes próprios do universo literário de José Saramago “que precisam de continuar entre nós”. Sublinhou a preocupação de Saramago com o nosso tempo e com o tempo futuro, ao admitir que foi um escritor que “teve razão antes do tempo”.

O livro, publicado a 20 de março, já tinha sido apresentado no dia 16 de abril pela escritora Lídia Jorge em Lisboa, na sede da Fundação José Saramago.

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