Cultura

CITAC expõe visão obscura da realidade política mundial

Numa perspetiva focada na hierarquia dos países no contexto internacional, o grupo de teatro promove uma encenação elucidativa dos interesses e dos jogos de poder na atualidade. Por Margarida Mota

O Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC) dinamiza, entre 23 e 29 de novembro, pelas 21h30, a exibição de “REORG”, a decorrer no teatro-estúdio do organismo. A peça resulta de uma adaptação do texto de “Blackpot”, de Dennis McShade, pseudónimo de Dinis Machado, com alguns traços do enredo de “Discurso sobre o Filho da Puta”, de Alberto Pimenta.

Segundo o presidente do CITAC e membro integrante do elenco, Jorge Carvalhal, trata-se de “uma peça bastante humana, com humor, mas também um pouco crua”. O enredo foca-se nos “jogos de poder, hierarquias e interesses” que existem na sociedade atual, tanto no plano das relações pessoais como numa abordagem política e internacional. Jorge Carvalhal afirma que as peças adaptadas em “são duas obras com muitas semelhanças” e acrescenta que “juntar os dois textos faz com que seja possível encontrar o melhor de cada um e criar uma simbiose”.

Para a organização da produção de outono, o presidente do CITAC assume que foi impossível à equipa “distanciar-se de questões sociais que marcam a sociedade”. Jorge Carvalhal menciona o facto de “a Europa ser um porto-salvo, enquanto o resto do mundo não tem condições, são uma espécie de ralé mundial de quem toda a gente se aproveita” e alude à existência de “jogos de poder mutáveis, de matança e de sobreposição” como pontos essenciais para a criação desta peça.

O título da encenação também não é fruto do acaso. Para Jorge Carvalhal, o facto de, atualmente, “para  tomar um novo rumo ser preciso uma reorganização” é pretexto suficiente para a denominação REORG. O presidente do CITAC comenta ainda que “o ser humano vai continuar a trabalhar com interesses e hierarquias por mais que se tente modificar a sociedade” e que, apesar do enredo da peça remeter a jogos de poder e de matança, e “embora não seja uma apologia à guerra, as soluções podem não ser pacíficas”.

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Fotografia: Inês Duarte

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