Ensino Superior

Diretor da FCTUC inicia hoje novo mandato

Luís Neves alerta para o envelhecimento do corpo docente e para infraestruturas frágeis com pouco financiamento. A evolução da investigação científica da UC e as inovações no calendário da faculdade são outros pontos destacados. Por Margarida Mota e Mariana Saraiva

A Sala do Senado deu lugar hoje, pelas 12h, à tomada de posse de Luís Neves como diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). A posse foi conferida pelo reitor da UC, João Gabriel Silva, ao professor catedrático do Departamento de Ciências da Terra pela terceira vez consecutiva.

Luís Neves começou por relembrar algumas palavras proferidas na primeira tomada de posse e destacou “os bons resultados obtidos” até à altura, quando “a Academia era algo propícia a pensamentos depressivos”. O diretor da FCTUC relacionou estas declarações com a atualidade e salientou “o padrão de melhoria que tem vindo a ser prosseguido”, apesar das “dificuldades de subfinanciamento e constantes alterações legais nas universidades”. Os progressos realizados pela faculdade podem ser observados num ranking internacional que mede o impacto de publicações científicas, onde “a FCTUC nestes dois anos ampliou a sua presença de oito para nove áreas, com a entrada das ciências agrárias” e contribuiu para a “evolução da UC no ranking de 11 para 13 áreas”, com a recente entrada das ciências sociais.

O professor catedrático considerou “a oferta formativa da FCTUC sólida” e justificou as reformulações necessárias como uma melhoria à sua atratividade. Ao mesmo tempo, fundamentou o conjunto de alterações ao nível das infraestruturas com questões de “requalificação e afetação de espaços”. Luís Neves não deixou de referir algumas fragilidades atuais da faculdade e pôs num plano de destaque o Departamento de Arquitetura, “um edifício muito carente de profundas obras de remodelação fora do alcance da FCTUC”. O diretor apelou ainda à procura de “financiamentos externos que permitam dar outra dignidade a um espaço classificado como património mundial”.

Outra das preocupações de Luís Neves prendeu-se com a renovação do corpo docente. “A idade média do corpo docente, não docente e técnico é muito elevada, já acima dos 50 anos”, sublinhou o diretor. Este é um problema estrutural que, segundo o diretor da FCTUC, precisa de empenho por parte do Estado, uma vez que se “aproxima o momento em que o número de reformas será de facto tão elevado que não é viável à universidade conseguir manter massa crítica em muitas áreas científicas”.

Para concluir o seu discurso de tomada de posse, Luís Neves anunciou uma novidade ainda para 2016: a criação do dia da FCTUC a par da comemoração do dia da UC. “Não é muito fácil numa universidade secular encontrar um momento de referência que nos possa servir de padrão para essa comemoração”, confessou o diretor. No entanto, sustenta que vai passar a ser o dia 16 de novembro, data que retoma à “primeira aula experimental de física subsequente à reforma pombalina de 1772 e que ocorreu há 244 anos atrás”.

 

 

Luís_Neves

Fotografia gentilmente cedida pela Universidade de Coimbra

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