Ensino Superior

AAC regressa ao Movimento Associativo Nacional

Estudantes querem alterar modelo de discussão do movimento. Assembleia Magna aprovou também plano político “Desigualdades monumentais”. Por Vasco Sampaio

É a exercer “o seu direito de não voto” que a AAC vai voltar a participar nos Encontros Nacionais de Direções Associativas (ENDA) e nos Encontros Nacionais de Académicas. A moção para o regresso foi apresentada pela Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) e pelo Conselho Inter-Núcleos na segunda Assembleia Magna (AM) do mandato de José Dias. Foi às 21h06 que começou a sessão na Cantina dos Grelhados, no passado dia 2 de março.

A decisão de voltar ao Movimento Associativo Nacional e não participar nas votações é justificada pelos dirigentes e representantes dos núcleos com a necessidade de “promover um debate sobre o modelo de discussão, formação e votação a adotar” no ENDA. O objetivo é o de que as associações presentes no movimento tenham um poder de voto proporcional ao número de estudantes que representam, num sistema semelhante ao encontrado na Assembleia da República (AR).

Para Catarina Agreira, estudante da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), é difícil compreender como se vai alterar o modelo de discussão do ENDA sem que a AAC se manifeste nas votações do mesmo. José Dias responde que esta é “a única maneira de modificar o processo”, já que “a AAC não pode tomar posição sobre propostas se não concordar com a forma como elas são votadas”.

“Estamos, enquanto AAC, prontos para debater, mas não para abdicar do nosso principio basilar de pretender mudar o modelo atual do ENDA”, explica o presidente da DG/AAC. Pretende-se que esta discussão aconteça até ao fim do ano, para que depois se decida, consoante os resultados obtidos, “se faz sentido continuar a proceder desta maneira”.

Plano político elaborado no Fórum AAC

A estratégia política da DG/AAC para os próximos seis meses foi também aprovada pelos estudantes. “Apesar de a AAC reconhecer melhorias no caminho para um Ensino Superior [ES] de qualidade e igualitário”, há ainda, segundo José Dias, “Desigualdades monumentais” no acesso ao ES, na aprendizagem, no emprego e a nível social.

Para combater esses “abismos”, o plano da AAC inclui a luta pelo “congelamento das propinas”, o debate acerca do Processo de Bolonha, a “realização de um jantar, a 17 de abril, com agentes políticos em residências universitárias” da cidade e a organização de uma arruada em Coimbra para “denunciar as condições de trabalho precárias dos estudantes recém-formados”.

Nascida de um debate com os núcleos de estudantes no Fórum AAC, que aconteceu no passado fim de semana (28 e 29 de fevereiro), a ideia é a de “pressionar o Ministério da Ciência, Tecnologia e ES” para que as desigualdades sejam colmatadas.

Seis moções apresentadas, três aprovadas

Também outras quatro moções foram apresentadas em Assembleia Magna. Duas delas propunham a reivindicação, por parte da AAC, para a alteração dos processos de avaliação na Faculdades de Letras e na Faculdade de Direito da UC.

A posição da DG/AAC foi a de se abster na votação destas moções. O presidente do órgão justifica que “não poderia, sem ouvir os núcleos de estudantes [das duas faculdades], tomar uma posição sobre estes assuntos”. José Dias considera que “as matérias em questão estão a ser resolvidas dentro das próprias faculdades”, uma vez não foram comunicadas à DG/AAC pelos respetivos núcleos. Ambas as moções acabaram reprovadas.

A disponibilização de transportes da AAC para uma manifestação por mais fácil acesso à Ação Social, a acontecer em frente à Assembleia da República no próximo dia 15 de março, foi também rejeitada. O presidente da DG/AAC clarifica que “os assuntos que motivam o protesto estão já a ser resolvidos, pelo que se tornaria redundante apoiá-lo”. Ainda para mais, “não fazia sentido”, segundo José Dias, “que os estudantes fossem para Lisboa sem uma liderança forte” por parte da DG/AAC.

Não só de votos contra foi feita a Assembleia Magna. Franklin Costa, estudante da FCTUC, tomou o palco para apresentar problemas encontrados nas residências universitárias dos Serviços de Ação Social da UC. As dificuldades dos residentes motivaram a aprovação de uma moção para que a AAC participasse, no próximo dia 7 de abril, numa manifestação no largo D. Dinis.

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Fotografia: Vasco Sampaio

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