Cultura

“Fahrenheit 451”: a distopia em palco no TAGV

Espetáculo tem como pano de fundo o “mundo underground” e visa “um questionamento interno”. Critica, ainda, modelos políticos totalitaristas e censura da imprensa. Por Rita Fonseca e Pedro Silva

“Farenheit 451”, obra de Ray Bradbury, retrata a história de Guy Montag, bombeiro de um quartel de uma sociedade distópica onde a leitura, ou qualquer tipo de contacto com literatura, são proibidos. Montag, responsável pela destruição de todos os livros existentes através do uso de fogo, acaba por se apaixonar pela leitura e desencadear uma revolução social. Uma hora e quarenta e cinco minutos é o tempo de duração da peça de teatro baseada no livro. Vai estar em cena no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), amanhã, dia 17 de março.

Pedro Alves é o diretor artístico do teatromosca, companhia que produz a peça. Para si, identifica o texto de Ray Braudbury como “um dos mais importantes e influentes romances de toda a literatura de ficção científica mundial”. O livro alerta para os riscos da destruição da leitura em prol da televisão, mas seve também de crítica ao “totalitarismo, ao controlo totalitário da imprensa e à censura que é exercida sobre a própria literatura”.

A dramatização visa um “questionamento interno sobre o próprio texto do escritor Bradbury”, afirma Pedro Alves, e “é uma forma de colocar o texto em frente ao espelho”. Esta peça é a representação de um texto que, apesar de ser mais conhecido pela adaptação cinematográfica realizada por François Truffaut, nos anos 1960, acabou por ser uma espécie de “pedra de toque” que serve de influência da atual produção científica, reforça o diretor artístico. Para além disso, Pedro Alves considera que é uma obra relativamente conhecida numa “espécie de mundo underground, da cultura de ficção científica”.

O diretor artístico realça que estes textos “foram escritos para serem consumidos particularmente, na solidão de cada um dos seus leitores”. O espetáculo, em si, pretende “transmitir um conjunto de mensagens que tem por objetivo questionar o espetador, através de alguma posição mais ativa perante os conteúdos que vão sendo apresentados”, conclui.

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Fotografia gentilmente cedida pelo Teatro Académico de Gil Vicente

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