Ensino Superior

Propinas, Processo de Bolonha e revisão do ES em debate

Temas como a contratação de docentes, fusões entre IES e um possível futuro decréscimo de estudantes estiveram em cima da mesa. Por Rita Moreira

Numa altura em que se discute o Ensino Superior (ES), após o congelamento das propinas, a Rádio Universidade de Coimbra organizou um debate onde se questionou “Onde Está o Ensino Superior?”. O reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva, o vice-presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNEP), Gonçalo Leite Velho, o presidente do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), Rui Antunes, e o presidente da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), José Dias protagonizaram esta discussão. O debate teve lugar ontem, 19, no Teatro da Cerca de S. Bernardo.

Sobre a temática do Processo de Bolonha, o presidente da DG/AAC salienta a sua vantagem de centralização da aprendizagem ao estudante. No entanto, aponta “uma adaptação à portuguesa” para frisar que tem de existir uma análise em que este processo “seja pensado na base cultural que é aplicada”. João Gabriel Silva aponta como uma das vantagens deste processo o “reconhecimento mútuo dos graus a nível do espaço europeu” e reconhece que existem ainda muitos passos para dar.

A possível fusão da UC e IPC foi trazido à discussão. Rui Antunes defende que as instituições “não deviam ser distinguidas pela natureza administrativa, mas pelos projetos que desenvolvem e que podem fazer coexistir estas duas instituições”. O reitor da UC explica “não existirem condições para esta situação ocorrer”.

Quando questionados sobre a propina, o vice-presidente do SNEP diz apoiar o “papel fundamental da AAC na medida do congelamento das propinas”. Tanto o reitor da UC como o presidente do IPC referem a problemática das universidades e institutos com este congelamento “que não deixou uma contrapartida orçamental”, nas palavras de João Gabriel Silva. “Durante os últimos seis anos foram aplicados cortes e não foi feito algum tipo de reforço, sendo que este é o primeiro em que se mantém”, acrescenta José Dias.

“Não existe disponibilidade financeira para fazer as contratações desejadas”, indica o presidente do IPC, sobre o sistema de contratação do docente. O reitor da UC revela que foi alterado o modo de seleção dos docentes e espera com isso uma “grande qualidade nas contratações futuras”.

À pergunta “Onde Está o Ensino Superior?”, o reitor da UC responde com a indicação de dois grandes desafios: o primeiro sobre o decréscimo de estudantes que pode vir a existir em 2019 e e o segundo sobre a fomentação da competitividade do ES a nível internacional. Gonçalo Leite aponta para a correção de fragilidades do ponto de vista da contratação. Já o presidente do IPC refere que importa existir uma autonomia das instituições, enquanto José Dias fala em cinco áreas fundamentais desde uma reflexão da rede do ES até o reforço da Ação Social escolar.

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Fotografia: Vasco Sampaio

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