Cultura

Ciclo de conversas junta livros e plantas

Iniciativa pretende aumentar noções de Botânica. Teofrasto, Garcia de Orta, Humboldt e Wallace são os autores em análise. Por Mariana Bessa e Rita Fonseca

“O Livro: No princípio, era o conhecimento” é o tema da 18ª Semana Cultural da Universidade de Coimbra (UC). Essa ligação ao universo escrito e ao saber que dele advém foi o motivo da criação de um conjunto de palestras denominado “Livros no Jardim das Plantas”. O evento vai ter lugar no Departamento de Ciências da Vida, a partir desta quinta-feira, 31, e prolonga-se até 28 de abril.

A organização da atividade está a cargo do Jardim Botânico da UC (JBUC). O seu diretor, António Gouveia, conta que a ideia subjacente às palestras foi “ligar livros que foram importantes para a Botânica, para a Ecologia e para a Biogeografia”. Este evento não se destina somente ao público académico, mas a “todos os interessados em livros, em plantas ou nos dois”.

A conversa inicial vai estar a cargo de Jorge Paiva, investigador do Centro de Ecologia Funcional (CFE), e Fátima Silva, docente do Instituto de Estudos Clássicos da UC, que narram a “História das Plantas”, o primeiro livro sistematizado sobre o assunto, que batizou Teofrasto, filósofo grego, de “pai da botânica”.

“Colóquio dos Simples”, de Garcia de Orta, é apresentado oito dias depois por Teresa Nobre de Carvalho, investigadora da Secção Autónoma de História e Filosofia das Ciências da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (UL), e Lígia Salgueiro, docente da Faculdade de Farmácia da UC. O livro do médico português, e precursor nas áreas da Botânica, Medicina Tropical e Farmacologia, é um compêndio de plantas com interesses medicinais.

Alexander von Humboldt é um dos mais conhecidos naturalistas da História. O alemão publicou, no século XIX, “Pinturas da Natureza”, uma obra que aborda a transversalidade entre disciplinas científicas. O livro é, assim, o motivo da terceira palestra, a cargo de Campar de Almeida, docente da Faculdade de Letras da UC e que introduz a área da Biogeografia. O contraste é estabelecido pela perspetiva literária de Anabela Mendes, docente do Departamento de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da UL.

“Arquipélago Malaio”, de Alfred Wallace, é apresentado pelo diretor do JBUC, em conjunto com Rúben Heleno, investigador do CFE. António Gouveia tenciona falar, entre outros assuntos, sobre “biologia das ilhas, ecologia, especiação e plantas endémicas”. O ciclo é encerrado com “uma intervenção artística de Joana Escoval”. Trata-se de “um evento único”, onde os presentes vão assistir a uma “leitura não científica, um pouco mais artística, sobre o que são os livros e as plantas”, descreve o diretor.

A direção do JBUC pretende manter o espaço dinâmico, pois considera haver uma “cegueira em relação ao conhecimento das plantas”, que “são absolutamente fundamentais na nossa vida”. António Gouveia faz questão de sublinhar que constituem a unidade básica das cadeias alimentares e energéticas de quase todos os ecossistemas terrestres, para além de serem indispensáveis em termos de alimentação.

[Editado por Paulo Sérgio Santos]

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Fotografia: Mariana Bessa

 

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