Ensino Superior

Fraude académica: uma tendência atual

Dados recolhidos por inquérito sobre a “cultura de copiar” no ensino superior português demonstram realidade com elevada presença de fraude académica. Por Cristina Pinilla Carrasco

Universidades e institutos politécnicos foram alvo de um estudo sobre os vários tipos de fraude académica, levado a cabo por um grupo de investigadores do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC.

De acordo com Paulo Peixoto, investigador do CES e membro do grupo de investigação, “fraude académica é uma questão que preocupa alunos e professores, mas que parece preocupar muito pouco as instituições. Como revela o estudo, metade dos estudantes universitários admite “cabular” nos exames. Paulo Peixoto considera que, nesta matéria, “as instituições também têm parte da culpa, uma vez que, quando os professores detetam casos de fraude, não fazem nada ou resolvem a situação unilateralmente com o estudante”.

Apesar de estar muito disseminada, a predisposição para o plágio e para a fraude académica não é igual em todos em todos os alunos. Segundo Paulo Peixoto, “depende se os estudantes estão no primeiro ano, das áreas em que eles estão inseridos, do facto deles reprovarem”, entre outros, mas a principal razão prende-se com “práticas que eles já tinham antes de entrar na universidade”. O grupo de investigação chegou à conclusão de que, “normalmente os alunos que vêm de meios sociais mais favorecidos são aqueles que estão mais disponíveis a cometer o crime”.

Numa perspetiva local, a UC “não obteve resultados diferentes das outras instituições, acaba por confirmar aquilo que são tendências gerais”, refere o investigador. O estudo revela-se importante porque “obtiveram-se resultados de alunos de todas as áreas científicas, em mais de 180 cursos e de seis instituições”. A elaboração deste inquérito foi motivada pela “tentativa de perceber quais são as formas predominantes de fraude e as instituições do ensino superior que desenvolvem práticas de prevenção mais eficientes, fomentando princípios éticos”, explica Paulo Peixoto.

[editado por Margarida Mota]
cabula

Fotografia: D.R.

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