Ciência & Tecnologia

Desmitificação do solo com jogo de cartas para os mais pequenos

Um primeiro contacto com a ciência é criado através de atividade e torna-se um dos objetivos primordiais. O ecossistema essencial à vida humana é simplificado e sublinhada a sua importância. Por Rita Portugal

“A Vida Escondida nos Solos” é o nome do jogo de cartas, com origem em França, adaptado por uma dupla de investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra (FCTUC) ao português. “Não é nada mais, nada menos, do que o jogo do peixinho”, conta José Paulo Sousa, um dos investigadores responsáveis pelo projeto. A iniciativa pretende constituir uma ferramenta lúdica para cativar as camadas mais jovens para a problemática do solo.

Trata-se de um jogo de cartas com várias classes, em que o objetivo passa por “juntar as diferentes cartas de uma mesma categoria e com isso aperceber-se dos diferentes tipos de organismos que existem dentro de cada uma”, explica José Paulo Sousa.

Assim surge a possibilidade de fazer a adaptação de alguns conteúdos científicos do jogo em parceria com Sara Mendes, investigadora que José Paulo Sousa reconhece estar “muito vocacionada para a divulgação da ciência”. O jogo destina-se a alunos do 2º ciclo na área das ciências. No entanto, o investigador informa tê-lo testado com alunos mais novos e obtido “bastante sucesso”. O objetivo d’“A Vida Escondida nos Solos” passa por proporcionar aos alunos “uma forma lúdica de aprenderem a brincar”, a fim de se sentirem entusiasmados. Para os mais pequenos, pretende-se dar “uma primeira noção do que é o solo e dos organismos que nele habitam”.

A dupla de investigadores esteve encarregue da tradução e adaptação para a língua portuguesa do jogo de cartas que existe há cerca de um ano em França. Quando interrogado acerca do porquê de ainda não existir em Portugal, José Paulo Sousa conta que, para além das traduções, “existem todas as questões de direitos de autor em termos das fotografias e dos conteúdos, por exemplo” e que o mais demorado foi a produção. “Tivemos de arranjar parceria com a Porto Editora que fez a produção do jogo, um processo bastante longo que já não depende de nós”, acrescenta. Em anexo ao jogo, existe um folheto explicativo que “conta mais um pouco em termos da importância do solo e do que é que fazem os seus organismos” e constitui um “apoio extra para os professores ou para os pais explicarem às crianças o que estão a ver nas cartas”. Segundo José Paulo Sousa, a Porto Editora vai distribuir o jogo por todas as escolas E.B 2 e 3 do país, por cerca de sete mil professores de Ciências Naturais.

O investigador sublinha o papel do solo, ao afirmar que ele “fornece todos os serviços do ecossistema essenciais à sobrevivência da espécie humana”, não só “em termos de ciclo de nutrientes” como em “capacidade de retenção de contaminantes”. O solo tem vindo a ganhar reconhecimento em termos sociais e políticos e, para manter a sua preservação, “é essencial que as pessoas comecem a aperceber-se da sua importância e da sua biodiversidade”, conclui.

cartas

Fotografia gentilmente cedida pela UC

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