Ciência & Tecnologia

ICNAS desenvolve projeto piloto com foco na prevenção cardíaca

Estudo espera resultados promissores no campo da prevenção. O objeto de investigação passa pela deteção de patologias cardiovasculares. Por Rita Fonseca e João Pimentel

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra (UC), está a desenvolver um estudo preliminar, com a utilização do radiofármaco fluoreto de sódio marcado com fluor-18, que visa a deteção antecipada de doenças cardiovasculares. Este radiofármaco é “um marcador utilizado para a identificação de metástases ósseas que deteta processos de microcalcificação ativa”, explica Maria João Ferreira, docente e investigadora da Faculdade de Medicina da UC (FMUC). As metástases ósseas tratam-se da propagação da doença para os ossos. Já os processos de microcalcificação são a formação de estruturas de cálcio com tamanho inferior a 0,5mm.

Durante a realização de investigações no campo da oncologia foi identificado por alguns investigadores da área que o marcador utilizado, fluoreto de sódio marcado com fluor-18, era captado pelas paredes dos vasos sanguíneos. A investigadora da FMUC afirma que a explicação para este acontecimento está nos “procedimentos iniciais da formação da placa arteriosclerótica onde há um processo de microcalcificação ativa”. Estas placas mais ativas, que captam o marcador, são mais vulneráveis e, por consequência, mais propícias a rutura. Estes acontecimentos podem ser facilmente relacionados com os riscos de acidente cardiovascular, enfarte de miocárdio e outras patologias com quadros agudos.

A investigadora espera que um dos campos mais promissores deste novo estudo seja a sua utilidade “na avaliação das terapêuticas utilizada para diminuir o risco de doença cardíaca”. Ou seja, poder considerar que aquilo que estão a fazer a um determinado paciente está a baixar o risco cardiovascular. O estudo do ICNAS é pioneiro no que se refere à utilização desta técnica “em utentes, sem doença, ou seja, só com risco”, acrescenta ainda Maria João Ferreira.

Caso seja comprovado que este método é realmente eficaz o trabalho dos profissionais de saúde pode sofrer alterações a nível de “postura e abordagem em termos de terapêutica dos nossos doentes”, refere a investigadora.

 

Maria João Ferreira sublinha ainda que “deve ser dada especial ênfase à prevenção das doenças cardiovasculares”, pois a sua precaução é simples e pode diminuir o índice de incidência cardíaca na população. A prevenção cardíaca passa por “dar ao doente conselhos e a educação e tentar que não assumam comportamentos de risco”. Todos os esforços são feitos para que a doença não apareça. Reforça ainda que “ao apostar na prevenção o impacto das doenças cardiovasculares e reduzido”.

Apesar de o “projeto já ter financiamento” a investigadora refere que “ainda têm que burilar bastante para chegar onde pretendem” e para que haja resultados promissores. Este é um estudo piloto, ou seja, uma investigação “preliminar com poucos doentes mas que dê alguma informação” acerca do objeto de estudo.

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Fotografia: Rita Fonseca

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