Ensino Superior

Queima das Fitas quer menos excessos e mais consciência ambiental

A campanha pretende alertar o meio estudantil ao nível da saúde e do ambiente. Iniciativa junta cinco instituições. Por Ana Miguel Regedor

A proposta da Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) para a Queima das Fitas de 2016 (QF’16) assenta sobre premissas de civismo e visa “congregar esforços no sentido de colocar a componente social naquele que é o maior festival académico do país”, refere o presidente da DG/AAC, José Dias. “Na Queima Segura-te” é “um projeto de cidadania onde o objetivo é a luta contra os comportamentos de risco e a sensibilização para a moderação”, acrescenta o líder associativo.

O projeto foi apresentado hoje numa conferência que decorreu nos Jardins da AAC e que contou com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, que saudou os esforços da AAC, ao afirmar que “falar de cidadania no âmbito das iniciativas académicas e das universidades é uma prioridade para o trabalho do governo”.

Catarina Marcelino sublinhou ainda a “importante questão da violência no namoro”, tema em que a Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade (SECI) tem vindo a trabalhar não só com a AAC mas também com outras associações académicas do país, uma vez que “os números são preocupantes”. De acordo com um estudo que a UMAR lançou no início deste ano, 22 por cento dos jovens não têm consciência de que “dar um estalo, insultar, uma tentativa de relações sexuais, controlar o telemóvel ou proibir alguém de falar com outra pessoa são atos de violência”, relembra a secretária de Estado.

A este propósito, José Dias acrescenta que “determinados comportamentos de risco possam ter como consequência direta esse mesmo problema”. Não obstante, defende que é necessário abranger mais áreas nos trabalhos com o governo. O dirigente associativo sublinha que esta campanha lança um “alerta a nível da saúde e ambiental”. A mensagem a passar é a de “ter noites mais moderadas, ao nível dos excessos e mais cuidados ambientais”, uma vez que “um problema das nossas festas académicas é o acumular de lixo”, afirma José Dias.

O Grupo Ecológico da AAC (GE/AAC) alerta para o “número de copos descartáveis que são produzidos na QF, cerca de meio milhão”, recorda o presidente desta secção, Tiago Mendes, ao apresentar como alternativa o uso da caneca reutilizável. À semelhança da Latada, “em que os núcleos já usaram copos reutilizáveis “ e que, segundo as contas do grupo, “houve um decréscimo de cerca de 30 por cento”, o presidente deseja “tornar a QF um pouco mais verde”.

Por parte do GE/AAC, há ainda a pretensão de sensibilizar os estudantes para a contaminação que as beatas de cigarro representam: “todos os anos são atiradas ao chão cerca de quatro triliões de beatas, e uma simples beata tem a capacidade de poluir cerca de 40 litros de água”, recorda o representante do grupo. Nesse sentido, o GE/AAC vai disponibilizar aos interessados um cinzeiro de bolso.

A iniciativa “Na Queima Segura-te” resulta de uma confluência de forças e conta com o apoio da Liga Portuguesa Contra o Cancro, projeto “Há Noites Assim”, Grupo Ecológico da AAC, movimento “Não Lixes…” e Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade. As parcerias traduzem-se numa finalidade comum, “ter uma Queima das Fitas mais saudável, com comportamentos mais moderados”, sublinha o presidente da DG/AAC.

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Fotografia: Teresa Borges

Agradecimentos: Rádio Universidade de Coimbra

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