Ensino Superior

Fundo Solidário auxilia estudantes com dificuldades económicas há seis anos

Cerca de 20 entidades colaboram na proteção de alunos carenciados, em projeto do IUJP. DG/AAC considera que o papel do Estado se tem revelado insuficiente. Por Mariana Bessa e Nuno Morgado

Um estudante bolseiro que não obtenha aprovação a 60 por cento dos créditos em que se inscreveu perde direito à sua bolsa de estudo. Mas são, por vezes, “dificuldades na alimentação e preocupações com o pagamento da renda e das propinas” que levam ao próprio insucesso escolar. Esta é a perspetiva defendida por Raquel Azevedo, coordenadora do projeto Fundo Solidário, criado pelo Instituto Universitário Justiça e Paz, que completa este mês seis anos de existência. É, em parte, esta lógica circular que a ação de solidariedade pretende combater. A coordenadora aponta como principal objetivo “fornecer uma resposta complementar aos apoios sociais que existem”, em particular ao nível de “propinas, alojamento, alimentação, aconselhamento e material escolar”.

O Fundo Solidário procura responder “a situações limite quando os estudantes estão em vias de abandonar o Ensino Superior por razões económicas”, explica Raquel Azevedo. Apesar de não funcionar como uma bolsa de estudo, “visa fornecer um apoio pontual para tentar ultrapassar uma determinada situação”. A angariação de fundos para a sustentabilidade do projeto é assegurada pela organização de atividades como a “Feira do Livro a 1€”, a “Semana Solidária”, período de iniciativas sociais cujas receitas revertem para o Fundo Solidário, e a campanha “Tenho um Fundo Bom”, que se baseia na “entrega regular de alimentos e material escolar”, revela a coordenadora.

A contribuir para o Fundo Solidário encontram-se quase duas dezenas de entidades, entre as quais a Associação Académica de Coimbra (AAC),o Instituto de Emprego e Formação Profissional e o Instituto da Segurança Social. Os donativos da Comissão Organizadora da Queima das Fitas e da Festa das Latas e Imposição das Insígnias, assim como da Associação de Estudantes do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra são, segundo Raquel Azevedo, “muito importantes para um projeto que não tem financiamento”. Com estes esforços, foi possível ajudar 84 estudantes, no último letivo, num valor superior a 14 mil euros. Ao fim de seis anos do projeto, foram investidos 150 mil euros no combate ao abandono escolar.

Para Raquel Azevedo, a AAC enquanto “estrutura representativa dos estudantes”, tem um “conhecimento e uma ligação direta com esta realidade, que eles acompanham e que pretendem combater”. A coordenadora refere que a AAC tem a missão de sinalizar casos de estudantes com dificuldades para serem encaminhados para colaboradores do Fundo Solidário, bem como de “alertar a comunidade académica”.

Alexandre Amado, vice-presidente da Direção-Geral da AAC (DG/AAC) afirma que vê com “bons olhos” este tipo de iniciativas, “pelo impacto que tem e pela quantidade de estudantes que ajuda”. No entanto, considera que “seria melhor se não tivessem de existir apoios deste género” e não deixa de referir que deve haver “um reforço da parte do Governo e do Sistema de Ação Social para que não haja necessidade de outras instituições da comunidade civil substituírem o Estado em ações como esta”.

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Fotografia: João Ruivo

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