Cultura

Exposição de ossadas no Dia Internacional dos Museus

Esqueletos exumados de freiras são datados dos séculos XV a XVII. Estudo antropológico sobre os esqueletos detetou patologias orais e ósseas. Por Heloísa Curado e Carolina Marques

Na comemoração dos 700 anos da fundação do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha vão ser apresentadas 70 ossadas de clarissas, membros da Ordem de Santa Clara, resultado de uma escavação nos anos de 1995 e 1996. A exposição “O que se dizem os ossos exumados em Santa Clara-a-Velha”, que se vai realizar amanhã, “tem a ver com os ossos e o que eles ensinam”, explica Catarina Cunha Leal, coordenadora da apresentação. 18 de maio marca ainda o Dia Internacional dos Museus, celebrado com o objetivo de relembrar o papel dos museus nas sociedades.

“A interatividade através de vídeos com imagens das escavações” e a “distribuição de folhetos informativos sobre as peças expostas são formas de aproximação ao público”, frisa Eugénia Cunha, antropóloga forense do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (UC). Numa parte final, denominada de “Curiosidade sobre os ossos”, encontram-se respostas a perguntas que têm sido feitas por quem vê os esqueletos.

Os esqueletos exumados são datados entre os séculos XV e XVII e destacam-se “sobretudo por terem muitas patologias orais, cáries, tártaro, doenças periodontais e abcessos”, aponta a antropóloga.

A justificação dada sobre as doenças é que “estariam relacionadas com dieta rica em açúcares feita pelas clarissas”. Através da análise das ossadas foi possível identificar também osteoporose e osteoartrose, sustenta Eugénia Cunha.

Nas sepulturas anónimas foram encontrados objetos de adornos como anéis e brincos. Para além disto a antropóloga salienta a descoberta de “três esqueletos de crianças que não deveriam estar ali”.

A inauguração coincide com o Dia Internacional dos Museus, que apresenta um variado programa de atividades entre 18 e 21 de maio. No Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, a comemoração vai ser feita “com uma possível visita ao espaço museológico, às exposições existentes e à nossa exposição permanente”, refere Catarina Leal Cunha.

A Rede de Museus, que coordena a efeméride, engloba ainda outras instituições. Para além do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, vão estar abertos ao público, em horários diferentes do habitual, espaços como o Museu Nacional Machado de Castro, o Paço das Escolas ou o Museu da Ciência da UC, entre outros. A programação completa do Dia Internacional dos Museus e da Noite dos Museus pode ser encontrada aqui.

A exposição “O que se dizem os ossos exumados em Santa Clara-a-Velha” vai estar patente até 18 de setembro e pode ser visitada de terça a domingo, entre as 10 e as 19 horas.

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Fotografia gentilmente cedida por Eugénia Cunha

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