Cidade

Estudantes apresentam projeto para revitalizar a Baixa de Coimbra

Organização sem fins lucrativos troca matéria-prima por publicidade. Projeto quer estender-se além da arquitetura e cooperar com outras instituições no apoio à comunidade. Por João Ruivo

“[Já me disseram que] Coimbra cheira a mofo, que está uma cidade passiva”, indica João Peralta membro do coletivo Há Baixa (HAB). O grupo, que completou um ano no passado mês de março, nasceu com o objetivo solucionar o problema ao requalificar habitações e espaços de comércio da Baixa de Coimbra e apresenta-se à cidade no próximo dia 25, no Salão Brasil. A sessão tem o tema “Reflexões para a cidade: A questão da Baixa de Coimbra”, e conta também com a presença de outras iniciativas do género que inspiraram o HAB: Terra Amada, Rés-do-Chão e El Casc. Com este evento, o grupo de jovens visa apelar ao sentido de cidadania e envolver todos os estudantes da cidade na reflexão e reabilitação do seu património.

O HAB é composto por estudantes do Departamento de Arquitectura (DARQ) da Universidade de Coimbra (UC). Aos nove membros iniciais, alunos de Arquitetura, juntaram-se depois seis de Design e Multimédia da mesma universidade. Juntos, conhecem e estão em contacto com outros projetos ligados à arquitectura, construção e produção de actividades. Sendo uma organização sem fins lucrativos, é através da cedência de material por parte de empresas a troco de publicidade que desenvolve o seu trabalho.

“Aproximar a UC da cidade, dinamizar os espaços da Baixa e, [enquanto estudantes,] ligar a prática da Arquitetura à teoria”, aponta João Peralta, são os principais objetivos deste grupo que é acompanhado por docentes, técnicos e engenheiros que colaboram na coordenação dos diferentes projetos.

Segundo os membros, Coimbra precisa de inovação e originalidade, e o motor desta dinamização devem ser os jovens. “É necessário agir com responsabilidade”, sublinha João Peralta, que defende que, “antes de saírem da universidade, os estudantes devem ajudar a cidade a desenvolver-se. Em cidades como Lisboa, estes projectos são um sucesso ao qual o cidadão comum não fica alheio”, reforça.

Trabalho já planeado

“O Largo do Romal, por estar em tão más condições, despertou o interesse do coletivo”. Este espaço, que consideram isolado da restante Baixa, “tem três artérias completamente estranguladas, muito estreitas, que o escondem”. Ainda assim, a existência de comércio na zona revela “pessoas dinâmicas, mas sem capacidade financeira. Tanto o atelier de costura como a tasca do Sr. Norberto e a Papelaria Sim Sim são estabelecimentos degradados e desatualizados” que o HAB decidiu ajudar, aponta João Peralta. No próprio largo, será também instalado um palco temporário, a partir de 25 de Junho onde vai decorrer o evento “Sons da Cidade”, com “programação cultural variada”.

Presente e futuro do HAB

Este coletivo, que teve como suporte inicial o Centro de Estudos do DARQ, através do docente Pedro Maurício Borges, conta agora com o apoio institucional do próprio DARQ. O Salão Brasil tem também sido um impulsionador do projeto, bem como o Círculo de Artes Plásticas e a Casa da Esquina, e também a Câmara Municipal de Coimbra manifestou interesse no grupo, segundo o membro do HAB.

O objetivo final é o de “instalar esta iniciativa num espaço físico, uma espécie de consultório, para resolver problemas na medida das suas capacidades. É possível articular este com outros projectos [num mesmo local] e conseguir mostrar coordenação e cooperação entre instituições”, garante João Peralta.

Há Baixa

Fotografia gentilmente cedida por: HAB

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