Desporto, Opinião

AAC vs Santa Clara – Os estudantes, um a um

Em período de vazio em Coimbra, essa foi também a sensação nas bancadas. Valeu a velocidade do homem do costume e uma substituição que mexeu com a linha de tempo. Por Paulo Sérgio Santos

Ricardo Ribeiro – 2

Uma defesa a abrir, uma ida ao fundo das redes e outra ao banco para ir buscar água. Depois, na segunda parte, quis fazer parte de um ‘casting’ com os seus dois centrais, um revivalismo compreensível numa tarde de agosto igual a tantas outras.

Nuno Piloto – 2

Ainda estamos longe do Natal mas lá chegaremos rapidamente, pelo que é altura de começar a pensar em prendas. Para Nuno Piloto, um trintão que se aventura agora, por necessidade, em andanças polivalentes, um dvd com os melhores momentos de Javier Zanetti. Pode ser que aprenda alguma coisa.

Nuno Santos – 1,5

Numa tarde de ficção científica, as bolas que saíam dos seus pés pareciam parar no ar, num continuum espácio-temporal qualquer, uma quinta dimensão do desporto rei. Quando, inesperadamente, contrariavam a tendência, encontravam zonas de ninguém. Um dvd de Paolo Maldini pode ser uma recomendação natalícia.

João Real e Alexandre Alfaiate – 2

Um duo incaracterístico. O primeiro, perito em bolas longas com o GPS avariado. O segundo, a procurar contrariar a sua questão posicional, num debate metafísico com arrancadas solitárias à mistura. Os dois, ao saberem que no banco açoriano havia um senhor chamado Batatinha, resolveram confidenciar com Ricardo Ribeiro e, já na segunda parte, fazer uma cena digna de um qualquer Batatoon.

Fernando Alexandre – 2

Nota-se que sabe o que faz, mesmo que isso seja apenas limpar tudo o que lhe aparece ao caminho. O problema é quando resolve passar para onde não deve, perder a bola onde também não pode. E aquilo que podia ser uma tarde agradável, acaba num pesadelo. Valeu o papel que recebeu de Costinha, aos 78, quiçá para um copo na Figueira, que domingos em Coimbra e em agosto são coisas do outro mundo.

Káká – 1,5

Diz-se que anda muito pela Praça da República, por preferências de contornos russos. Hoje parece efetivamente ter andado, tal a sua inexistência em campo. O ponto alto da sua exibição foi a saída aos 72 minutos.

Marinho – 3

O “rato atómico” tem uma alcunha que já foi de Mickey na década de noventa. Justifica-a quando pega na bola e faz coisas que, embora não comparáveis com as do seu treinador, ficam acima dos restantes 21 companheiros de relvado. Às tantas, de tão rápido ser, está num sítio e cinco metros à frente, é rasteirado e cai sozinho.

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Fotografia: João Ruivo

Traquina – 3

São dele quatro das melhores iniciativas da Briosa no primeiro tempo. Antecipando as dificuldades quânticas de Nuno Santos, assumiu a cobrança de faltas pelos homens de negro. Contudo, ainda a segunda parte era uma criança, recebeu ordem de substituição e, certamente, terá pensado: “Ser ou não ser, eis a questão”.

Tozé Marreco – 2,5

Agosto é um mau mês para estar em Coimbra, que se muda para a Figueira. Tozé, chateado por saber ir ser preterido por Fernando, entrou em onda de protestos nos primeiros 45 minutos. Nos segundos, resolveu dar uma de CR7 e tentar uma finalização de calcanhar. Falhou e ficou alguns segundos a meditar sobre o facto, mexendo a perna, tentando perceber o porquê de tal mistério insondável.

Rui Miguel – 1,5

Lento, o 10 da Briosa também conseguiu ser rápido, quase ofuscando a velocidade de Marinho. Todavia, Rui Miguel resolveu usar essa habilidade escassa para o lado negro da partida. Se o fiscal levantava a bandeirola, corria como se não houvesse amanhã. Se via um passe perfeito, acelerava e conseguia intercetar um ataque dos estudantes. A camisola, pelo menos, ficou suada.

Nii Plange e Ki – 1,5

Conclusão destas substituições: a Académica tem tecnicistas que sabem tratar a bola. Mesmo que não tenha jogadores com outras características. Mesmo que Adamah Nii Plange se queira chamar Maxwell. Mesmo que Ki não perceba Costinha e, por isso, vá ficar esta noite em casa.

Makonda – 0,5

Faz parte do momento do jogo. É o jogador que não deveria ter entrado que fez sair o jogador que deveria ter saído mas que não era suposto sair. Confuso? Simplifique-se: saiu Rui Miguel para entrar Makonda mas era suposto sair Nuno Santos, equívoco do quarto árbitro. O jogo, a partir dos 81, tornou-se no gato de Schrödinger: existia e não existia, dentro daquelas quatro linhas brancas.

Costinha – 2

A presença no banco distingue-se pela indumentária: calça preta, camisa branca ‘slim fit’ e sapatilhas. É dele, graças ao dito calçado, o primeiro grande momento do jogo, aos 29 minutos, numa receção orientada que terá deixado marca nos 22 espectadores em campo. E, se Costinha se chamasse Petit, não teria chegado ao final do jogo.

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