Desporto, Opinião

AAC vs Portimonense – Os estudantes, um a um

Longe vão os tempos das chuteiras pretas. O seu colorido desta tarde, nos 44 pés que se passearam num relvado que já conheceu melhores dias, contribuiu para contrastar com o cinzento do nulo no marcador. Texto por Paulo Sérgio Santos. Fotografias por Inês Duarte

Ricardo Ribeiro – 3

Pareceu sofrer, num jogo atípico a uma quarta-feira, de síndrome do homem só, deixado que foi, sozinho, com as suas chuteiras cinzentas e roxas. Aos 21 quis desabafar com alguém quando um remate lhe fez lembrar pesadelos açorianos. A meio da segunda parte, entediado por ninguém lhe ligar, resolveu dar uma de Higuita e fintar o seu oponente algarvio.

Alexandre Alfaiate – 2,5

O central, hoje lateral direito, é o sonho de qualquer professor em início de carreira. Costinha viu o que o Ministério da Educação não vê e substituiu alguém que já pede redução de horário por um jovem que mostra ganas de novos processos futebolísticos, tal a ânsia de galgar metros.

Nuno Santos – 2,5

Resolveu problemas passados deixando a ficção científica de lado, ele que é homem de outras décadas e, por isso, pouco dado a fenómenos paranormais. Contudo, por esta hora, ainda deve estar a conversar consigo próprio (com Ricardo Ribeiro ainda deixado só), tentando compreender autênticos milagres: corridas depois dos 60 e bolas magnetizadas pelos seus pés.

João Real – 3

Deixou-se de usar modernices como GPS e, com isso, descobriu todo um novo mundo minimalista. Cortes sem cerimónias e ainda tempo para subidas a terras algarvias para um cabeceamento que causou, como se diz em linguagem técnico-futebolístico-francesa, ‘frisson’ entre os academistas.

Diogo Coelho – 3,5

Veni, vidi, vinci. O central emprestado pelo Nacional da Madeira tardou a chegar mas, ainda nem conhece os melhores sítios de Coimbra, já manda no Calhabé como poucos. Responsável por dois cantos nos primeiros oito minutos, colocou quem lhe apareceu pela frente em sentido. Afinal, em Coimbra, sê romano.

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Fernando Alexandre – 3

Continua a saber o que faz. Se com Sonasol o algodão não engana, com Fernando Alexandre também não. Por volta dos 70 minutos não recebeu um bilhete de Costinha mas antes a braçadeira de Marinho, um símbolo que lhe fica bem.

Jimmy – 3

Hoje é ele que vai à Figueira com Costinha, saborear um marisco bem merecido na Rosa Amélia. O treinador referiu-se a ele como tendo feito um belíssimo jogo e o cabo-verdiano fez questão de o demonstrar, depois de duas épocas perdido pelos Açores. Para quem tenha a dúvida se o viu em campo, a resposta é simples: os jogadores do Portimonense viram-no e já estavam fartos, tendo agradecido a Costinha aos 74.

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Marinho – 2

O “rato atómico”, agora também apelidado de “rodinhas baixas”, não pode ter sempre um dia sim. Nem se pode pedir isso ao capitão que trouxe uma taça para casa que muitos ambicionavam poder ver. Estatisticamente, é possível que domingo já seja um dia sim.

Nii Plange – 3

O mistério adensa-se. Para uns é Adamah Nii Plange. Para outros é Nii Adamah Plange. Mas ninguém sabe quem é Maxwell. Contudo, quem quer que seja Maxwell, que o seja por muitos mais jogos. Os flancos da Académica precisam da sua irreverência e talvez Maxwell descubra finalmente quem é Nii Plange. Ou Nii Plange quem é Maxwell.

Tozé Marreco – 2

O Vítor Oliveira dos relvados, já que esteve nas duas últimas equipas que subiram à I Liga, está com a vida difícil. Um cabeceamento à passagem do décimo minuto e um remate desconexado pouco depois do início da segunda parte são fraco cartão de visita. Cair nas graças de Costinha começa a estar complicado e ir à Figueira também.

Rui Miguel – 2

Há qualquer coisa de estranho no 10 da Académica. Ausente grande parte da partida, parece ligar à corrente a espaços, como quando ziguezagueou pelo relvado, abanou literalmente um algarvio e regressou ao seu estado letárgico. Pareceu, depois, surpreendido pelo que aconteceu. Barry Allen também era assim ao início.

Kaká, Tom e Ki – 0,5

Mafra não é Coimbra mas Kaká parece não reparar nisso. Não há praia e começa a ser difícil perceber o que pode faltar mais ao brasileiro. Tom tinha umas chuteiras encarnadas, a direita no esquerdo e a esquerda no direito. E Ki, bem… Ki entrou para levar um sopapo algures nos quinze minutos que esteve em campo. Os três estarão certamente à procura, num balneário onde resta apenas um Nuno Santos que não quer falar com ninguém, de quem lhes explique para que entraram. Ricardo Ribeiro, com quem ninguém quis conversar, já se foi embora há muito.

Costinha – 2

A indumentária mantém-se mas trocou as sapatilhas. Amuleto ou não, com isso descobriu Jimmy que, pare com a tendência de alterar constantemente o onze, lhe pode ser de grande utilidade daqui para a frente. Só falta acertar com as substituições. Ou motivá-las corretamente, agora que a época balnear caminha para o seu final e Coimbra vai voltar a ser Coimbra.

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