Desporto, Opinião

AAC vs União, os estudantes um a um

Os catorze de negro que estiveram em campo viveram uma tarde de ubiquidades. Entre surpresas no onze, confirmações e exibições desastrosas, valeu um golo que deu três pontos. Por Paulo Sérgio Santos. Fotografias por João Ruivo

Ricardo Ribeiro – 2

Está a ler um dos clássicos da labuta de guarda-redes, “A Insustentável Arte de ser Inconstante”, um volume do século passado escrito por autor anónimo. Alternou intervenções acertadas e vistosas com saídas intempestivas e reposições de bola desconcertadas. Melhorou depois de um encontro de primeiro grau com o poste direito da sua baliza, já na segunda parte.

Alexandre Alfaiate – 2,5

Se Costinha faz alterações a cada partida, supõe-se que na ânsia de encontrar o Santo Graal estudantil, Alexandre também se considera no direito de as fazer, naquilo que são as liberdades permitidas pelas suas incumbências. Hoje mudou de chuteiras, para um verde garrido, experimentou subir no terreno e obrigar Fernando Alexandre a dobrá-lo e cruzou para ninguém. Se a primeira é inócua, as restantes podem incluí-lo nas alterações de Costinha.

João Real – 3

A segunda quinzena de Agosto, para quem já entrou ao trabalho, é propicia a tardes assim, que contrariam a velocidade do bulício circundante. São amenas, tranquilas, relaxadas. Assim foi a tarde de João Real, que até se deu ao luxo de deixar a distribuição de mimos aos adversários para Fernando Alexandre.

Diogo Coelho – 3

Ao fim de 150 minutos com a camisola da Briosa fez o primeiro corte disparatado, uma rosca que saiu para canto. Se a média se mantiver, a defensiva pode estar tranquila. Desde que o canto não dê em golo; se der, é daqueles casos em que a estatística é absolutamente inútil.

Nuno Santos – 2,5

O veterano dos estudantes pareceu passar ao lado do jogo no seu flanco, o que, na segunda parte, ainda lhe permitiu apreciar um pouco o típico sol de final de tarde no Calhabé. Continua perito em arrancadas no último quarto de hora da partida, quando ninguém diria que ainda tem pulmões e pernas.

Fernando Alexandre – 3

Foi dele um dos primeiros sinais de perigo dos estudantes, num cabeceamento ao fechar do primeiro quarto de hora. Depois o mundo ficou de pernas para o ar: levou mais sarrafada do que aquela que distribuiu (mesmo contando com a que João Real lhe deixou), o que levou Costinha a inteirar-se do estado do seu alter-ego em campo, numa das raras vezes em que se levantou do banco de suplentes.

Jimmy – 3,5

Quando o árbitro apitou para o início da partida, pareceu que o tempo recuou até ao momento da substituição com o Portimonense, eram aproximadamente 17h29 do dia 24 de agosto. Jimmy continuou igual, no seu estilo ubíquo, pernilongo, qual garça-negra num arrozal. Aos 65 minutos subiu uma placa com o número 88 e o coração dos 2009 academistas presentes parou, antecipando uma loucura de Costinha ou um desvario do quarto árbitro, mas era apenas o 88 do União. É um claro ‘upgrade’ em relação a Kaká.

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Nii Plange – 2

A exibição de Maxwell, embora esforçada, coincidiu com o verde das suas chuteiras, de uma tonalidade desmaiada. O seu espaço, na folha de notas, ficou em branco. É possível que não tenha ajudado que Kaká, mais minuto sim que minuto não, pisasse a sua área de ação, o que, em alguém com transtorno de identidade, não é algo positivo.

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Kaká – 3,5

Uma exibição de contrastes. Decorriam 20 minutos e foi protagonista de um momento inolvidável para qualquer adepto de futebol: uma recuperação de bola em carrinho, algo surpreendente em si. Colocado no lugar de Rui Miguel, passou mais tempo no de Maxwell, de onde arrancou para marcar o golo que sentenciou a partida, quase a fechar a primeira parte. Se Jimmy é o seu ‘upgrade’, este Everton Kaká pode ser o de Rui Miguel ou de Maxwell; só tem de decidir por onde andar.

Makonda – 3

Não surgiu Marinho (nem no banco) mas sim Makonda no onze. O francês, a quem chamam “joelho e meio”, foi um dos agitadores da primeira parte. Assumiu a marcação de livres (já todos o fazem menos Nuno Santos) mas não de golos. Falhou um a menos de dois metros da baliza por não gostar de facilidades. Não está lá para ser como os outros, está lá para ser Makonda.

Tozé Marreco – 2

É um tipo porreiro, a sério que deve ser, até diz adeus aos miúdos no final do jogo, a caminho do túnel. Mas ser ponta-de-lança requer outros requisitos como, talvez, marcar golos. Claro que a discussão é longa e acaba com o ser preciso que o esférico lá chegue em condições. Ainda assim, um cartão amarelo aos 47’, por fazer tropeçar e importunar o Puyol madeirense, é pouco, muito pouco.

Ki – 1,5

Há uma constante que se começa a traçar com Hwang Mun-ki. Cada vez que entra no jogo, acaba envolvido numa qualquer cena com violência física. Hoje acertou no treinador contrário e foi lançado à pista de tartan. É, portanto, um jovem bom de pés, com a bola ou sem.

Rui Miguel – 1

Foi mais notado pela sua ausência que pela presença, ao não estar onde devia estar num cruzamento de Alfaiate. Depois, dois remates, qualquer um deles a relembrar que longe vão os tempos do ‘skate’ parque do Vale das Flores, e que quem habita um ringue de cimento não tem, certamente, a mesma habilidade que quem está num relvado.

Tom – 0

Entrou para conversar um pouco com Jimmy. Se fizer isso durante cinco minutos por jogo, a Académica pode vir a ter uma dupla interessante no meio-campo quando tiver início a segunda volta.

Costinha – 2,5

A Académica ganhou e isso, por si só, é uma coisa boa. Mas o timoneiro dos estudantes pareceu triste, acabrunhado, como se o facto de ter mais peças no onze a resultarem do que a serem anticorpos fosse algo mau. Assim, levantou-se duas vezes, uma em cada metade. O resto do tempo ficou a observar Jimmy e mais um belíssimo jogo.

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